Alcaide-mor

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Alcaide-mor (Segundo Salazar de Mendonça em sus dignidades seglares, lib. 2, cap. 3). Alcaide é dição arábiga composta do artículo Al e de Caydum, derivado do verbo, Cade que é capitanear, significa o que tem a seu cargo a guarda do castelo ou rotaleza. É ofício antigo em este reino, introduzido nele desde o tempo que se foi libertando dos mouros, que como estes usavam do nome de alcaide nas terras fronteiras, aquela idade, pouco advertida, servia-se também nas suas do nome dos inimigos. Jurava o alcaide-mor fidelidade nas mãos dos reis, com tão austera e escrupulosa religião que a mais leve omissão na defensa de sua praça se castigava como crime de lesa-majestade. Por cuja atenção dispôs el-rei D. Afonso V que os alcaides fossem fidalgos de pai e mãe, e que vivessem sempre nos seus castelos, e falecendo algum, lhe sucedesse o parente mais chegado que estivesse no castelo, e quando este faltasse, então se faria eleição de alcaide, até el-rei prover. Persevera hoje em Portugal o nome alcaide, sem alguma diferença do cargo e nome, mais que a palavra mor, a qual se acrescentou para distinção do alcaide pequeno, que nos primeiros tempos era como substituto ou tenente, e capitão do castelo, por nomeação e provimento do alcaide-mor, para servir em sua ausência, e correndo o tempo, ficou em género de ofício na República, que usa de vara, e tem lugar em muitas cousas, como membro de justiça. O ofício de alcaide-mor era defender o castelo e tê-lo sempre provido de gente, armas e bastimentos e quando saísse do castelo o que nele ficava lhe havia de fazer homenagem dele. Os direitos dos alcaides-mores eram as carceragens, as penas das armas proibidas, e as dos que mal viviam, e dos excomungados, forças, tabulagens, casas de venda e nos lugares marítimos, os das barcas e dos navios, que se carregassem no porto, conforme e as toneladas, dois soldos por cada uma. Além destes direitos, em muitas partes tinham grossas rendas de herdades e de próprios aplicados às alcaidarias, para maior segurança dos lugares marítimos, mandava o Regimento que tanto que chegasse qualquer navio estrangeiro, o alcaide pequeno e seu escrivão fossem a ele e escrevessem as armas que trazia, e antes que se partissem tornassem a fazer a mesma visita, para ver se levavam algumas mais dos reino, que as que trouxeram, e os que eram compreendidos as perdiam para o alcaide-mor. De tudo o dito pouco está hoje em sua observância. Nas cortes têm lugar os alcaides-mores dos castelos del-rei[1].

Notas

  1. Bluteau, Vocabulario Portuguez e latino (Tomo I: Letra A), 216-217.

Bibliografia e Fontes

  • Bluteau, Rafael. Vocabulario portuguez e latino, aulico, anatomico, architectonico, bellico, botanico, brasilico, comico, critico, chimico, dogmatico, dialectico, dendrologico, ecclesiastico, etymologico, economico, florifero, forense, fructifero... autorizado com exemplos dos melhores escritores portugueses, e latinos... Tomo I: Letra A. Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1712.