Betume

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Betume. Espécie de barro, pegadiço, glutinoso e tenaz que participa da natureza do enxofre. Há betume que na opinião de alguns se gera do raio como do Lago de Judeia, chamado Asphalites ou Mar Morto em que de contínuo caem raios e é tão fedorento que até onde aquele fedor chega diz Solina, não cria nenhum animal.

Dizem que com este Betume fundou a rainha Semiramis os muros de Babilónia em lugar de cal. Segundo Dioscorides, há dois géneros de betume, um seco e outro líquido. O seco se dá na Judeia, Fenícia e Sidónia; o líquido em Babilónia, Apolónia e Sícilia. Alguns, segundo Landino, lhe chamam Esterco do Demónio.

Betume artificial. Faz-se por muitos modos. Ao betume que se faz com pó de pedra, pez, claras de ovos a que chamam alguns com nome grego Lithocolla. Vid. Lithocolla.

Faz-se outro género de betume com pó de tijolo e borras de azeite.

Os ourives chamam betume a uma massa que pega nas peças e as sustém no fuste. Qualquer betume artificial que serve de unir e conglutinar pedras. Bitumen artificiosum ou gluten, quo lapides ferrummantur[1].  

Notas

  1. Bluteau, Vocabulario Portuguez e latino (Tomo II: B-C), 114-115.

Bibliografia e Fontes

  • Bluteau, Rafael. Vocabulario portuguez e latino, aulico, anatomico, architectonico, bellico, botanico, brasilico, comico, critico, chimico, dogmatico, dialectico, dendrologico, ecclesiastico, etymologico, economico, florifero, forense, fructifero... autorizado com exemplos dos melhores escritores portugueses, e latinos... Tomo II: B-C. Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1712.