Estátua

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Figura de pau, barro, bronze ou de qualquer outro metal e matéria, toda de relevo inteiro, representativa de qualquer pessoa. parece que aos assírios se deve a invenção das estátuas, porque Nino, rei da Assíria, edificou a seu pai Belo um templo, e nele lhe levantou muitas estátuas em que os povos o adoravam como Deus, e esta foi a origem da idolatria no mundo. Semiramis, mulher de Nino, e sua sucessora no império, fez talhar no monte Bagistone por vários escultores a sua estátua, acompanhada de outras cem figuras em acção de lhe oferecer donativos. Deste modelo tomaria Stesicrates a monstruosa ideia que teve de formar de todo o monte Athos uma estátua a Alexandre Magno, como se aos palmos se medisse a grandeza dos heróis. Dos assírios passou a escultura das estátuas aos egípcios, destes aos gregos e dos gregos aos romanos. A estatuária, que teve por princípio o culto da religião, serviu para eternizar a fama dos varões ilustres com tão prodigiosa magnificência que Demétrio Falério, grande político, filósofo, poeta e orador levantou na cidade de Atenas, não menos que 360 estátuas de bronze. Distinguiram os antigos as estátuas em augustas, heróicas e colossais ou colóssicas. Nas estátuas augustas se representavam os imperadores, os reis e os príncipes; nas estátuas heróicas, os heróis ou semi-deuses, estas tinham duas vezes a altura da estatura humana; nas estátuas colossais se figuravam as fabulosas deidades dos antigos e estas eram três vezes mais altas que as primeiras, como entre outras a estátua de Júpiter Olímpico, a Minerva de Atenas, o Júpiter do Capitólio, o Colosso de Apolo e outras cuja altura não tinha outros limites que os que lhe punha a fantasia do artífice. Chegado Alexandre Magno ao zénite da glória, levantaram-lhe os povos da Macedónia uma estátua nua, protestando que não havia no mundo ornamentos dignos de a cobrir. Ao próprio Alexandre, Stacicrates, famoso escultor, quis fazer do monte Athos uma estátua, enorme artifício de monstruosa adulação. Faz Estrabão menção da famosa estátua de Mémnon, rei dos tebanos, fabricada com tal arte que, ferida dos raios de sol, soltava vozes harmónicas, que faziam dos circunstantes estátuas. As que a lisonja e a vaidade levantaram aos tiranos sempre foram derrubadas, como de Licínio, Teodório, Calígula, Sejano, etc. A Pausânias, filho de Colombroto, levantaram os lacedemónios uma estátua, mas informados da sua licenciosa vida, a mandaram derrubar. Statua, ae. Fem. Cic. Signum, i. Neut. Cic.

Estátua pequena. Sigillum, i. Neut. Cic.

Estátua de bronze. Simulacrum ex aere factum Plin. Statua ex aere. Signum abeneum. Horat.

Estátua de mármore. E marmore ou de marmore signum. Ovid.

Estátua ao natural. Statua iconica ou ex hominis ipsius similitudine expressa. Plin. Hist. Simulachrum iconicum. Sueton. in Caligula.

Estátua de grandeza extraordinária. Colossos, i. Masc. Stat. Statua colossea ou signum colossicum. Plin.

Estátua tanto ao vivo que só lhe falta a palavra. Spirans signum. Virgil.

Estátua equestre. A que representa um homem a cavalo. Statua equestris. Cic.

Estátua de homem a pé. Statua pedestris. Plin. Hist.

Fazer a estátua de alguém em bronze. Ducere aliquem ex aere. Plin.

Fazer de uma pedra de moinho uma estátua. Escalpere signum ex molari lapide. Quintil.

Levantar a alguém uma estátua. Ponere, collocare, statuere alicui statuam. Phaedr. Cic.[1].

Notas

  1. Bluteau, Vocabulario Portuguez e latino (Tomo III: E), 313-314.

Bibliografia e Fontes

  • Bluteau, Rafael. Vocabulario portuguez e latino, aulico, anatomico, architectonico, bellico, botanico, brasilico, comico, critico, chimico, dogmatico, dialectico, dendrologico, ecclesiastico, etymologico, economico, florifero, forense, fructifero... autorizado com exemplos dos melhores escritores portugueses, e latinos... Tomo III: Letra D-EYC. Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1713.