Firmino de Morais Âncora

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Firmino de Morais Âncora
Nome completo Firmino Herculano de Moraes Ancora
Outras Grafias Firmino de Morais Ancora
Pai Joaquim Batista Âncora
Mãe Maria Bárbara de Moraes
Cônjuge Francisca Ludovina de Gusmão Lobo
Filho(s) Aires António de Moraes Ancora, Firmino Herculano de Moraes Âncora, Maria Ludovina de Moraes Ancora
Irmão(s) valor desconhecido
Nascimento 25 setembro 1790
Lisboa, Portugal
Morte 26 fevereiro 1867
Recife, Pernambuco, Brasil
Sexo Masculino
Religião Cristã
Residência
Residência Lisboa, Lisboa, Portugal
Data Início: 1790
Fim: 1808

Residência Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Data Início: 1808
Fim: 1815

Residência Recife, Pernambuco, Brasil
Data Início: 1815
Fim: 1842
Formação
Formação Engenharia Militar
Data Início: 1811
Local de Formação Rio de Janeiro, Brasil
Postos
Data Fim: 1807
Arma Artilharia

Posto Tenente
Data Início: 1808
Fim: 1815
Arma Artilharia

Posto Major
Data Início: 1818
Fim: 1825
Arma Engenharia

Data Início: 1823
Fim: 1824
Arma Engenharia

Posto Tenente-coronel
Data Início: 1825
Fim: 1842
Arma Engenharia

Posto Brigadeiro
Data Início: 1846
Fim: 1856
Arma Engenharia
Cargos
Cargo Director
Data Início: 1835
Fim: 1846

Cargo Director
Data Início: 1846

Cargo Director
Data Início: 1845

Cargo Director
Data Início: 1856
Actividade
Actividade Acompanhamento de obra
Data Início: 1815
Fim: 1823

Actividade Inspecção
Data Início: 1824
Fim: 1846
Local de Actividade Pernambuco, Brasil

Actividade Projeto de Infraestrutura
Data Início: 1830
Local de Actividade Alagoas, Brasil

Actividade Inspecção
Data Início: 1833
Fim: 1846
Local de Actividade Pernambuco, Brasil

Actividade Projeto de Infraestrutura
Data Fim: 1842
Local de Actividade Recife, Pernambuco, Brasil


Biografia

Dados biográficos

Firmino Herculano de Moraes Âncora nasceu em Lisboa, em 25 de Setembro de 1790 e faleceu em 26 de Fevereiro de 1867[1]. Era filho de Joaquim Batista Âncora e de Maria Bárbara de Moraes e casado com a senhora Francisca Ludovina de Gusmão Lobo. A cerimônia nupcial teve lugar na Capela do Remédio, em Recife. O Tenente-General Firmino Herculano de Moraes Ancora deixou, no Exército Brasileiro, uma ilustre e grande linha de sucessão em que se destaca o nome do Marechal de Campo Aires Antônio de Moraes Ancora, nascido no Recife (Pernambuco) em 21 de Maio de 1831.

Eram seus filhos:

  • Aires António exerceu importantes comissões de caráter técnico, inclusive na Europa, onde foi incumbido de aquisição de armamento, destacando-se pela sua atuação na Guerra do Paraguai, em assuntos relacionados com o material bélico e em trabalhos de Engenharia. Foi ele, também, como seu pai, Vogal do Conselho Supremo Militar e Conselheiro de Guerra. Era casado com D.Maria da Rocha de Moraes Âncora. Faleceu em Paris, no dia 30 de Janeiro de 1890.
  • O Tenente-Coronel Firmino Herculano de Moraes Âncora. Chefiou, durante a Guerra do Paraguai, o Laboratório Pirotécnico de Porto Alegre, que fabricou e forneceu às forças brasileiras considerável quantidade de material bélico. Era casado na Família Vieira Braga, de Pelotas.
  • Maria Ludovina de Moraes Ancora, casada com o Coronel Modesto Benjamim Lins de Vasconcellos.
  • Maria Bárbara, casada com o Marechal Francisco Carlos da Luz.

Nessa linha de descendência figuram o Coronel Ayres de Morais Ancora, o Embaixador Edmundo da Luz Pinto, o General Octavio da Luz Pinto, o General Virginio da Gama Lobo e o Coronel Mario Faria Lemos.

Na estirpe de ilustres militares destaca-se o General Armando de Moraes Ancora, Comandante do I Exército, no Rio de Janeiro, na década de 1960[2].

Carreira

Praça aos 12 anos, como 1.° cadete, no 1.° Regimento de Artilharia do Exército de Portugal.

Embarcou para o Brasil em 1807, com a comitiva do Príncipe Regente, que teria, depois, o título de D. João VI.

De chegada ao Rio de Janeiro, recebeu a patente de Segundo-Tenente agregado ao Regimento de Artilharia da Corte, em virtude da Carta Régia de 2 de Abril de 1808. Por Carta Régia de 17 de Abril do mesmo ano foi promovido a Primeiro-Tenente para a 2a Companhia do referido Regimento.

Em 1811, obtida a necessária licença, foi matriculado na Academia Real Militar do Rio de Janeiro, cujo Curso Geral realizou com destaque.

Por Decreto de 17 de Dezembro de 1815 foi promovido a Capitão para a 4a Companhia do Regimento de Artilharia da Corte, sendo, logo depois, transferido para a província de Pernambuco, onde exerceu as funções de encarregado das obras militares da Capital.

Em 4 de Novembro de 1818 foi promovido a Major Graduado para o Corpo de Engenheiros, continuando a servir em Pernambuco, onde prestou relevantes serviços na realização de empreendimentos públicos, tanto de caráter militar como de natureza civil, o que foi salientado nos termos do elogio que recebeu em Portaria de 18 de Março de 1822.

Em Abril de 1823, já no Brasil-Império, passou a comandar as baterias do Norte da Província, até Setembro de 1824, quando passou a encarregado da linha de observação entre os rios Beribe e Capiberibe.

Em 3 de Novembro de 1824 foi nomeado Inspetor-Geral das pontes e estradas da citada Província.

Por Decreto de 12 de Outubro de 1825 foi efetivado no posto de Major, sendo, depois, graduado como Tenente-Coronel. Em 12 de Outubro de 1826 foi efetivado neste último posto.

Foi designado, em 1830, para encarregar-se das obras do farol da província de Alagoas, retornando a Pernambuco em Setembro de 1833, para assumir o cargo de Inspetor das Obras Públicas, com a atribuição de superintender todas as obras da província, abrangendo as edificações e a construção de rodovias.

Sua personalidade ficou de tal forma vinculada à província nordestina e nos empreendimentos solicitados pelo seu progresso crescente que, em 1835, o Coronel Firmino Herculano de Moraes Âncora foi eleito deputado à Assembleia pernambucana, continuando à frente da Inspetoria de Obras Públicas.

Realizou fecunda e intensa atuação como Diretor das Obras Públicas no Recife (Pernambuco). Quando o Governo da Província modificou o Regulamento da sua Repartição, por influência do engenheiro francês, contratado, Louis Leger Vauthier, a despeito da orientação diferente do Coronel Moraes Âncora, ferindo a sua autoridade e comprometendo os programas por este formulados, agravou-se a incompatibilidade entre o já consagrado engenheiro militar brasileiro e a nova orientação que assim se implantara no setor das obras públicas.

O novo Regulamento de Obras posto em execução por Decreto de 30 de Março de 1842, representava uma preferência injustificável pela direção dos engenheiros franceses Vauthier e Boulitreau, contratados na Europa pelo Governo pernambucano, os quais, desde Setembro de 1842, trabalhavam às ordens do Diretor de Obras. Releva salientar que o Coronel Firmino de Moraes Âncora foi o elaborador do primeiro Plano Rodoviário do Nordeste.

A Revolução Praieira, que viria logo depois, foi, também, uma explosão nacionalista, de caráter popular, provocada pelo sentimento generalizado de que o contrato e os privilégios dados a engenheiros estrangeiros constituíam uma espoliação dos direitos dos técnicos nacionais. Cumpre lembrar que fenômeno idêntico ocorreu em Portugal, ao tempo em que o Governo recorria, habitualmente, a engenheiros contratados no exterior.

O Coronel Firmino de Moraes Âncora já havia promovido numerosos e importantes melhoramentos na cidade de Recife, cuja fisionomia urbanística e arquitetônica lograra transformar e modernizar, além dos grandes empreendimentos rodoviários que executara, em proveito do progresso da província.

Dentre suas atribuições, padronizou as construções residenciais da Capital pernambucana, criando e impondo, exigências para os projetos e a execução das obras particulares, até então livres de qualquer interferência do poder público. Implantou normas visando à simetria dos alinhamentos e à conveniente localização dos imóveis, com base num plano diretor que racionalizava e disciplinava o crescimento da cidade.

Cumpre fazer, aqui, este registro especial da sua destacada atuação no setor das obras públicas, na província pernambucana, em virtude de observações desairosas e injustas com que o sociólogo Gilberto Freire abre exceção aos bibliógrafos autorizados do grande engenheiro que foi, sem dúvida, o Coronel Firmino Herculano de Moraes Ancora.

Em Março de 1842 encerrou as suas atividades em Pernambuco, transferindo-se para a Corte do Rio de Janeiro, onde foi confirmado no posto de Coronel a 7 de Setembro do mesmo ano. Em Dezembro, ainda do mesmo ano, passou a exercer, interinamente, o Comando do Corpo de Engenheiros.

Em 1 de Outubro de 1846 foi nomeado Comandante efetivo do Corpo de Engenheiros, e, em consequência, assumiu, também, as funções de Diretor do Arquivo Militar.

Em 3 de Julho de 1845, ele foi agraciado com a comenda da Ordem Militar de São Bento de Aviz, passando a exercer, em caráter interino, em Abril do mesmo ano, o cargo de Diretor da Escola Real Militar do Rio de Janeiro.

A 1 de Maio do mesmo ano foi graduado no posto de Brigadeiro, sendo efetivado no mesmo em 14 de Março de 1847.

Em Setembro de 1848 deixou a direção interina da Escola Militar, sendo nomeado para a Comissão julgadora do projeto e orçamento do cais a ser construído em frente da Alfândega da Corte, sendo a sua atuação elogiada por Aviso de 1 de Outubro de 1849.

Por Decreto de 2 de Dezembro de 1856 foi promovido a Marechal de Campo e, por Aviso de 18 de Novembro de 1858, nomeado Diretor da Escola Central do Rio de Janeiro.

Por Decreto de 13 de Julho de 1869 foi exonerado do Comando do Corpo de Engenheiros e nomeado Vogal do Conselho Supremo Militar, sendo nomeado, em Aviso de 30 de Julho do mesmo ano, membro da comissão organizadora das promoções gerais do Exército.

Foi reformado, a pedido, por motivo de doença, por Decreto de 25 de Maio de 1861, continuando como Vogal do Conselho Supremo, sendo-lhe concedida a patente de Tenente-General.

Por Decreto de 6 de Julho de 1861 foi nomeado Conselheiro de Guerra, cargo que exerceu até o seu falecimento, em 26 de Fevereiro de [1867][2].

Outras informações

Obras

  • Melhoramentos na cidade de Recife.
  • Padronização do estilo das construções residenciais da Capital pernambucana.
  • Planos para construção de estradas.
  • Projeto e orçamento do cais a ser construído em frente da Alfândega da Corte, 1848[2].

Notas

  1. O ano de falecimento que consta na obra do Gen. Aurélio L. Tavares é 1837, mas acredita-se ser um equívoco.
  2. 2,0 2,1 2,2 Tavares, A Engenharia Militar Portuguesa na Construção do Brasil, 128-131

Fontes

Bibliografia

Tavares, Gen. Aurelio de Lyra. A Engenharia Militar Portuguesa na Construção do Brasil. Rio de Janeiro: Estado-Maior do Exército, 1965.

Ligações Externas

Autor(es) do artigo

Beatriz Bueno

Financiamento

Fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto TechNetEMPIRE | Redes técnico-científicas na formação do ambiente construído no Império português (1647-1871) PTDC/ART-DAQ/31959/2017

DOI

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