Goles

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Definição

Em frase de armaria é a cor vermelha. Neste sentido não se diz gole no singular.

Deriva-se do plural Gulae que antigamente, na baixa latinidade, eram umas peles de grande preço, tintas em vermelho, com que os cavaleiros e príncipes forravam as suas melhores vestiduras.

No tratado intitulado Parabola de Nuptiis filii Regis, etc. dá S. Bernardo a entender que Gulae eram um forro com que se ornava particularmente o pescoço e os punhos Arminiam pelliceam circa collum, et circa manus, rubris gulis praeparatam e mais abaixo, depois de dizer Igitur pellicea sponso arminia sit, quod candidum est acrescenta circa collum et usque supra pectus et circa manus rubris gulis ornata. De onde se pode inferir que este ornato foi chamado gulae do latim gula, quando significa a parte interior da garganta, quanto mais que nas capas, que antigamente traziam os grandes, a boca que cinge o pescoço e à entrada do capelo, se chamava gulerum como conta que diz Mateus Parisiense, na vida de Henrique I, rei de França, onde falando numa espécie de capa que trazia este príncipe nos dias de festa diz Cum capam conaretur induere, invenit introitum caputii, qui gulerum vulgariter gallice appellatur, nimis arctu. Querem alguns que gulud em hebraico signifique pele vermelha, porem, na opinião dos mais cientes e versados na inteligência das línguas orientais, gulud é palavra arábica e plural de gled ou gelda que significa simplesmente couro ou pele. Não duvido que algum hebreu terá chamado gulud à pele vermelha, mas seria hebreu rabino, criado em terras da Europa, o qual (segundo alguns deles costumam) forma-se de vocábulos nacionais, palavras hebraicas e chama-se à pela vermelha gulud à imitação dos franceses que chamam gueles como nos goles à cor vermelha nos escudos das armas.

Rubeus color. Plin. ou color ruber ou coccineus color Campo de Goles. Area cocinea ou rubra, ae. Fem. São estas a cor vermelha que se chama goles e corresponde ao fogo. Nobiliarch. Portug. pág. 216[1].

Referências Documentais

Outras informações

Obra

Notas

  1. Bluteau, Vocabulario Portuguez e latino (Tomo IV: G), 89-8.

Fontes

Bibliografia

Bluteau, Rafael, Vocabulário Português e Latino…, 8 vols. e 2 Suplementos. Coimbra: Colégio das Artes da Companhia de Jesus, 1712-1728.

Dalgado, Sebastião Rodolfo, Glossário Luso-Asiático. Lisboa: Academia das Ciências, 1983.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, 40 vols. Lisboa-Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, 1981.

Moraes, António de, Dicionário da Língua Portuguesa, 2.ª ed., 2 vols. Lisboa: Typographia Lacerdina, 1813.

Moraes, António de, Grande Dicionário da Língua Portuguesa, 10.ª ed., 12 vols. Lisboa: Confluência, 1949-1957.

Moraes, António de, Novo Dicionário Compacto de Língua Portuguesa, 5 vols. Mem Martins: Horizonte, 1980.

Viterbo, Fr. Joaquim de Santa Rosa de, Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram, 2.ª ed., 2 vols. Porto: Civilização, 1983-1984.

Viterbo, Joaquim de Santa Rosa de, Elucidário das Palavras, Termos, Frases, que em Portugal Antigamente se Usavam…, 2 vols. Lisboa: A. J. Fernandes Lopes, 1965.

Ligações Externas

Autor(es) do artigo

Andreia Fontenete Louro

Financiamento

Fundação Calouste Gulbenkian - Projetos de Investigação em Língua e Cultura Portuguesa 2019, Ref.: 227751.

DOI

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