Judiaria

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O bairro onde algum dia viviam e onde hoje em algumas cidades vivem os judeus. A judiaria de Lisboa esteve ao princípio no bairro da pedreira, entre o Carmo e a Trindade, porque dando El-rei D. Dinis casas naquele sítio ao almirante Paçanha, declara ser ali o terreiro da pedreira onde moravam os judeus. Em tempo deste rei já era mudada para o bairro da Conceição, onde perseverou até se extinguir. Outra judiaria havia também junto a S. Pedro de Alfama como se vê do privilégio que el-rei D. Afonso V deu ao João Vogado, seu escrivão da fazenda, isentando-lhe de aposentadoria das casas que ele fez da porta da barreira até à torre de S. Pedro que é sobre a judiaria de Alfama. Foi isto no ano 1457. Nestas judiarias viviam os judeus em sua lei, conservados com tanta igualdade de justiça que por se lhe não fazer gravame mandou el-rei D. João I que nos sábados, nas Páscoas e outras celebridades de seu rito, não pudessem as justiças reais proceder contra eles. O fim deste e outros favores era para que se afeiçoassem os judeus à nossa fé e por esta se lhe mandava fazer sermões em certos dias, umas vezes nas sinagogas e outras os mandavam vir aos adros fora das igrejas, tanto assim que por informação dos antigos alcançou o doutor Pedro Álvares Seco, indo fazer o tombo da Igreja de Santa Maria dos Olivais da vila de Tomar, que junto ao alpendre da dita igreja havia antigamente um púlpito de pedra, o qual servia de fazerem em dias determinados as práticas aos judeus. Nas judiarias havia guardas por el-rei e aos judeus era proibido com graves penas o andar fora das judiarias depois de tanger as Avé Marias, deixando-se-lhe o dia livre para suas negociações e contratos. Judiaria. Urbis regio quam judaei incolunt. Se edificou judiaria nova no tempo del-rei D. Afonso IV. Mon. Lusit. Tom. 5, pág. 22, col. 3[1].

Notas

  1. Bluteau, Vocabulario Portuguez e latino (Tomo IV: I), 214.

Bibliografia e Fontes

  • Bluteau, Rafael. Vocabulario portuguez e latino, aulico, anatomico, architectonico, bellico, botanico, brasilico, comico, critico, chimico, dogmatico, dialectico, dendrologico, ecclesiastico, etymologico, economico, florifero, forense, fructifero... autorizado com exemplos dos melhores escritores portugueses, e latinos... Tomo IV: Letra F-J. Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1713.