Adriano Gavila

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Adriano Gavila
Nome completo Adriano Gavila
Outras Grafias D. Adriano Gávila, Adriano Gavilá
Pai Filipe António Gavila
Mãe Isabel Maria Rerengues Lanz
Cônjuge Teresa Bárbara Gavila
Filho(s) valor desconhecido
Irmão(s) Mariano Gavila
Nascimento valor desconhecido
Xàtiva, Valência, Espanha
Morte 1 novembro 1755
Lisboa, Lisboa, Portugal
Sexo Masculino
Religião valor desconhecido
Residência
Residência Lisboa, Lisboa, Portugal
Data Início: 1730
Fim: 10 de setembro de 1735
Formação
Data Fim: 1730
Local de Formação Lisboa, Lisboa, Portugal
Postos
Data Início: 12 de agosto de 1741
Fim: 10 de novembro de 1750
Arma Infantaria

Posto Ajudante com exercício de Engenheiro
Data Início: 27 de agosto de 1730
Fim: 19 de agosto de 1732
Arma Infantaria

Data Início: 19 de agosto de 1732
Fim: 25 de abril de 1738
Arma Infantaria
Actividade
Actividade Acompanhamento de obra
Local de Actividade Convento de Mafra, Mafra,-

Actividade Campanha militar
Data Início: 1739
Local de Actividade Baçaim, Índia


Biografia

Dados biográficos

Adriano Gavila nasceu em Xàtiva, Valência, Espanha[1], filho do engenheiro Filipe António Gavila e de Isabel Maria Rerengues Lanz[2]. Desconhece-se a sua data de nascimento. Foi casado com Teresa Bárbara Gavila[3], sendo descrito como nobre valenciano em publicações datadas de 1746[4] e de 1755[5].

Faleceu vitimado pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755 em Lisboa, na sua residência no "Largo do Lagar do Cebo"[3].

Carreira

Adriano Gavila frequentou a Academia Militar da Corte em data incerta, ainda que, certamente, antes de 1730, mostrando "boa suficiência" nos seus estudos[3]. Juntamente com o pai, Gavila trabalhou nas obras do Palácio de Mafra, onde se distinguiu nas obras hidráulicas realizadas.

Por carta patente de 27 de Agosto de 1730, Adriano Gavila foi provido no posto de ajudante de infantaria com exercício de engenheiro, sendo recomendado que se exercitasse e servisse sob as ordens do engenheiro-mor do reino[3]. Dois anos mais tarde, foi promovido, por carta patente de 19 de Agosto, ao posto de capitão de infantaria com exercício de engenheiro, ainda em consequência de ter "feito o descobrimento das águas das obras de Mafra, e condução delas, assim para o Convento, frontaria, e mais partes convenientes com o maior zelo e cuidado". O salário consistia em dez mil reis de soldo por mês[3].

Por provisão de 10 de Setembro de 1735, o rei concedeu a Adriano Gavila "o soldo dobrado de Capitão Engenheiro", em virtude de lhe "faltar o soldo do seu Pai" - que provavelmente falecera naquele ano -, e por o ter "concedido a todos os mais estrangeiros". O salário consistia assim em trinta e dois mil reis por mês. Nesta mesma altura, Gavila preparava-se para "passar logo ao Alentejo"[3].

A 25 de Abril de 1738, foi promovido ao posto de tenente de mestre de campo general com exercício de engenheiro e enviado para servir na Índia[3], onde chegou, provavelmente, em Setembro ou Outubro desse ano[6]. Em Novembro, o vice-rei Pedro de Mascarenhas, conde de Sandomil, comunicava ao general da Província do Norte, Pedro de Melo, que o "novo engenheiro Dom Adriano Gavila (...) que veio do Reino, o têm reputado, e que o senhor conde de Ericeira me escreveu que sendo a Praça de Arronches uma das piores que tínhamos, ele em breve tempo com poucos meios a reformara de modo que ficou muito capaz"[7].

Adriano Gavila participou no cerco de Baçaim entre Novembro de 1738 e Maio de 1739, tendo coordenado as operações de contra-minagem nesse último ano[8][9]. Participou também na malograda tentativa de reconquistar a fortificação de Reis Magos, perto de Taná, a 7 de Dezembro de 1738, da qual resultou a morte do recém-empossado general da Província do Norte, Pedro de Melo[10]. Durante esse período, Gavila é referido várias vezes na correspondência entre Baçaim e Goa, sabendo-se que terá sofrido ferimentos, nomeadamente, "recebendo três feridas (...) sendo duas de duas balas"[3]. Pelo seu serviço, e ferimentos, Gavila foi promovido pelo vice-rei Pedro de Mascarenhas ao posto de mestre de campo de infantaria com exercício de engenheiro[3]. O seu nome consta como o terceiro signatário do instrumento de rendição de Baçaim, de 16 de Maio 1739 - a seguir ao do general da Província do Norte e do capitão da praça.

Entre Maio e inícios de Outubro de 1739, esteve em Bombaim, chegando à barra de Aguada, em Goa, a 8 de Outubro desse ano. Participou na malograda tentativa de reconquista de Bardez, marchando com a força do general Manoel Soares Velho em Novembro de 1739, desde a aldeia de Sinquerim até aos muros de Tivim - um percurso de cerca de 22 km -, tendo, aí, participado na tomada do forte de Colvale. A força recuou, volvidos pouco dias, para a fortificação de Aguada[11].

Novamente, em Junho de 1741, acompanhou Manoel Soares Velho num ataque à província de Bradez, desta feita reconquistando-se aquela província para o Estado da Índia. Conjuntamente com o capitão Cristóvão de Saint-Martin, Gavila comandou um destacamento de artilharia, munido das peças de tiro rápido inventadas por Frederico Jacob Weinholtz, oficial dinamarquês ao serviço de D. João V. Participou, igualmente, na conquista das fortificações da Ilha de Corjuém e de Colvale[12]. Por carta patente de 12 de Agosto de 1741, determinava-se que Adriano Gavila fosse despachado ao posto de tenente coronel de infantaria com exercício de engenheiro, aquando do seu regresso a Portugal, uma vez findos os oito anos de serviço no Estado da Índia[3].

No ano seguinte, no mês de Junho, toma parte, na qualidade de tenente coronel engenheiro, em ataque contra as fortificações de Sanguém e Pondá, em Goa, chefiado pelo general Manuel Soares Velho; encontrando-se, ambas, ocupadas por forças maratas, que, em Maio desse ano, tinham também invadido Salcete, ameaçando a fortificação de Rachol. De acordo com uma fonte coeva, ambas as fortificações foram "arrasadas"[13]. Segundo o autor da Epanaphora Indica (1746), José Mascarenhas, Gavila foi o "autor daquelas gloriosas acções", algo que não fora reconhecido num livro publicado anteriormente, em 1742[14]. O engenheiro "justificou judicialmente em Goa" o seu papel nas operações militares através de depoimentos de vários oficiais que o acompanharam[15]. Na publicação mais tardia, elucida-se que Gavila comandara, efectivamente, a força que, partindo de Rachol, conquistou Sanguém, a cerca de 30km para sudeste ao longo do Rio Zuari, a 8 de Junho de 1742: "marchou D. Adriano sobre esta fortaleza, e escalando-a com três companhias de granadeiros, a tomou com toda a sua artilharia, munições, e apetrechos; passando a sua guarnição à espada; e perdoando só a mulheres, a crianças, e a 40 pessoas, às quais por comiseração concedeu quartel, deixando-as prisioneiras de guerra"[16]. Após esta batalha, Gavila marchou em direcção a Pondá com as mesmas companhias de granadeiros, tendo ocupado a sua fortificação no dia 11 Junho, após debandada da sua guarnição marata[16].

Tendo servido quase oito anos no Estado da Índia, Adriano Gavila embarcou a 27 de Janeiro de 1746 na nau Vitória, sob o comando do capitão de mar Francisco Pinheiro dos Santos, com destino a Portugal, por via dos portos do sul da Índia e do Cabo Comorim[17]. A carga da nau incluía um importante volume de diamantes para a corte. A viagem foi atribulada, tendo o mau tempo causado inundações e estragos na nau. Esta veio a fundear no porto de Saint Paul na Ilha de Réunion a 25 de Março de 1747, carecendo de reparações urgentes. Os diamantes destinado à corte Portuguesa foram, então, reenviados para Goa sob escolta de naus francesas. A nau, depois de uma tormenta ter quebrado suas amarras, naufragou no dia 6 de Abril à vista de Saint Paul, salvando-se a maior parte da sua marinhagem, sendo que o capitão de mar e os tripulantes, incluindo, presumivelmente, Gavila, estavam em terra. Os portugueses e a fazenda resgatada da nau foram transportados para a Ilha Maurice, onde chegaram a 5 de Janeiro de 1747[18].

Desconhece-se quando, e como, Adriano Gavila chegou a Portugal, mas uma tença concedida por D. João V em Setembro de 1748 é um indício seguro do seu regresso à metrópole nessa altura[19]. Por carta patente de 10 de Novembro de 1750, Gavila foi promovido ao posto de coronel de infantaria com exercício de engenheiro[3]. Segundo documento referindo os seus serviços, Gavila "servio (...) a Vossa Magestade por espaço de 25 annos, dois de Ajudante Engenheiro, quatro de Capitão Engenheiro, catorze de Thenente Coronel, e cinco de Coronel, começando (...) no ano de 1730, e falecendo no de 1755"[3].

Outras informações

Obras

Obras do Convento de Mafra.

Reforma setecentista da fortificação de Arronches.

Operações de contra-minagem em Baçaim em 1739.

Demolições das fortificações de Sanguém e Pondá, em Goa, em 1742.

Notas

  1. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Mesa da Consciência e Ordens, IAN/TT, PT/TT/MCO/A-C/003-001/0006/00001. Diligência de Habitação para a Ordem de Santiago de Don Adriano Gavilla, 16 de Julho de 1721.
  2. Sobre Isabel Maria Rerengues Lanz ver a secção Ligações Externas desta entrada.
  3. 3,00 3,01 3,02 3,03 3,04 3,05 3,06 3,07 3,08 3,09 3,10 3,11 Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Ministério do Reino, EXP-051-0283-00018. Requerimento de D. Teresa Bárbara Gavila, viúva do Coronel Engenheiro D. Adriano Gavila, fidalgo, solicitando uma mesada em remuneração dos serviços do seu marido, 1756.
  4. Mascarenhas, Epanaphora Indica, 1:4.
  5. Sousa, Memorias Historicas, e Genealogicas dos Grandes, 140.
  6. Assento do Senado de Damão datado de 13 de Abril de 1738, citado em Moniz, Notícias e Documentos para a História de Damão, 2:17; 18.
  7. Historical Archive of Goa, Livro de Baçaim nº 7, fl. 118v.. Carta de Pedro de Mascarenhas, 7 de Novembro de 1738.
  8. Viterbo, Diccionario Histórico e Documental dos Architectos, 3:335
  9. Pissurlencar, "Portugueses e Maratas (IV)", 85.
  10. Pissurlencar, "Portugueses e Maratas (IV)", 29.
  11. Pissurlencar, "Portugueses e Maratas (IV)", 54.
  12. Carta do vice-rei Luís Xavier de Meneses, 20 de Setembro de 1741, publicado em Celestino Soares, Documentos Comprovativos do Bosquejo, 3:13-14.
  13. Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Papéis vários, Códice nº 677, fl. 412. "Noticias da Índia, Junho de 1742",  citado em Pissurlencar (ed.), Assentos do Conselho de Estado, 5:639-640.
  14. Mascarenhas, Epanaphora Indica, 1:3-11.
  15. Mascarenhas, 1:3.
  16. 16,0 16,1 Mascarenhas, 1:10.
  17. Mascarenhas, Epanaphora Indica, 4:59-60.
  18. Mascarenhas, 4:59-67.
  19. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Registo Gerais de Mercês, liv. 29, fol. 205. D. Adriano Gavila, 1 de Setembro de 1748.

Fontes

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Mesa da Consciência e Ordens, IAN/TT, PT/TT/MCO/A-C/003-001/0006/00001. Diligência de Habitação para a Ordem de Santiago de Don Adriano Gavilla, 16 de Julho de 1721.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Ministério do Reino, EXP-051-0283-00018. Requerimento de D. Teresa Bárbara Gavila, viúva do Coronel Engenheiro D. Adriano Gavila, fidalgo, solicitando uma mesada em remuneração dos serviços do seu marido, 1756.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Registo Gerais de Mercês, liv. 29, fol. 205. D. Adriano Gavila, 1 de Setembro de 1748.

Celestino Soares, Joaquim Pedro. Documentos Comprovativos do Bosquejo das Possessões Portuguezas no Oriente. Tomo 3. [s.l.]: [s. ed.], [s. d.]

Historical Archive of Goa, Livro de Baçaim nº 7, fl. 118v.. Carta de Pedro de Mascarenhas, 7 de Novembro de 1738.

Mascarenhas, José Monterroyo. Epanaphora Indica, Na qual se dá notícia da viagem.... Parte 1. Lisboa: [s. ed], 1746.

Mascarenhas, José Monterroyo, Epanaphora Indica Na qual se dá notícia da viagem.... Parte 4. Lisboa: [s. ed.], 1748.

Sousa, Antonio Caetano de. Memorias Historicas, e Genealogicas dos Grandes de Portugal.... Lisboa: Na Regia Officina Sylviana, 1755.

Bibliografia

Moniz, António Francisco. Notícias e Documentos para a História de Damão. Vol. 2. Lisboa: Associação Damão-Diu, 2000.

Pissurlencar, Panduranga. "Portugueses e Maratas (IV): como se perdeu Baçaim". Boletim do Instituto Vasco da Gama, no. 10 (1931): 29.

Pissurlencar, Panduranga. "Portugueses e Maratas (IV): como se perdeu Baçaim". Boletim do Instituto Vasco da Gama, no. 12 (1932): 85.

Pissurlencar, Panduranga. "Portugueses e Maratas (IV): como se perdeu Baçaim". Boletim do Instituto Vasco da Gama, no. 13 (1932): 54.

Pissurlencar, Panduranga (ed.). Assentos do Conselho de Estado. Vol. 5 (1696-1750). Bastorá: Tipografia Rangel, 1957.

Viterbo, Francisco de Sousa. Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portugueses ou a serviço de Portugal. Vol. 2. Lisboa: Imprensa Nacional, 1904.

Viterbo, Francisco de Sousa. Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portugueses ou a serviço de Portugal. Vol. 3. Lisboa: Imprensa Nacional, 1922.

Ligações Externas

"Isabel Maria Rerengues Lanz". Geni, 2014.

Autor(es) do artigo

Sidh Losa Mendiratta

CES - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra

https://orcid.org/0000-0003-2960-8100

Financiamento

Fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto TechNetEMPIRE | Redes técnico-científicas na formação do ambiente construído no Império português (1647-1871) PTDC/ART-DAQ/31959/2017

DOI

https://doi.org/10.34619/7a9n-g3yk

Citar este artigo

Mendiratta, Sidh Losa. "Adriano Gavila", in eViterbo. Lisboa: CHAM - Centro de Humanidades, FCSH, Universidade Nova de Lisboa, 2022. (última modificação: 29/12/2023). Consultado a 21 de junho de 2024, em https://eviterbo.fcsh.unl.pt/wiki/Adriano_Gavila. DOI: https://doi.org/10.34619/7a9n-g3yk