Armas

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(1) Instrumentos de guerra ofensivos ou defensivos. Quase sempre se diz armas no plural. Arma, orum. Neut. Porém às vezes se diz arma singular. V. gr.

(...)

(3) Armas de fogo. Por ser nova a invenção deste género de armas foi preciso inventar uma palavra nova. Os autores mais cultos lhes chamam bombarda falando em armas de fogo em geral, mas falando só nas armas de fogo que um soldado pode trazer costuma-se dizer Sclopus ou stlopus. ou Sclopetus, i. Masc.

(4) Armas ofensivas, v. gr. Espadas, piques, mosquetes, canhões, etc. Arma impugnantia, ferientia, petentia, ictum, inferentia.

(5) Armas defensivas, v. gr. Capacetes, Braçais, Grevas, Arnezes, etc. Arma argentia, tuentia, propugnantia, protegentia.

(...)

(7) Armas brancas. Chamaram-lhe assim porque eram de aço branqueado ou prateado como as dos príncipes, com elas andavam os homens cobertos desde a cabeça até aos pés, a saber com (?) ou capacete, com viseira, com peito e espadaldar e manoplas, grevas, etc. Armado em armas brancas inteiras. A capite ad calcem armis tectus, unique armatus. Cataphractus, a, um. Este último é de Tito Lívio[1].

ARMAS Divisas de reinos, cidades, etc. (...) Também são divisas de honra nos escudos da nobreza. Chamo a estas armas divisas, porque das divisas trouxeram a sua origem estas armas. A imitação de Júpiter, rei de Creta, que em memória da água negra (a qual no princípio da batalha que ele deu a Saturno baixou do céu e se veio pôr no alto de uma lança arvorada na frente do seu exército) usava em suas bandeiras e pendões da efígie de uma água da mesma cor, os príncipes seus contemporâneos e seus sucessores tomaram divisas e insígnias militares, ou para distinção de suas pessoas, como os dois leões de ouro de Heitor Troiano, ou para distinguir os exércitos e as companhias dos mesmos exércitos, porque na desordem e confusão das batalhas, pode-se cada um acudir mais facilmente à sua bandeira.

Para este efeito usaram os assírios da pomba, os egípcios da lua, os tebanos da tartaruga, os africanos da espiga e ao manípulo, que Rómulo introduziu, sucederam nas insígnias dos Romanos o Lobo, águia, minotauro e não como armas das famílias, porque as armas das famílias romanas foram as imagens e estátuas de seus maiores, colocadas nos pátios à entrada das casas, mas para distintivos das suas pessoas ou da sua gente. Das bandeiras e estandartes que serviam nos actos públicos da guerra e da justiça passaram as divisas militares para os escudos, com esta restrição que os soldados particulares traziam os escudos brancos até chegarem a obrar alguma acção insigne, cuja história pintavam neles e os príncipes lhes concediam esta singularidade para os animarem a maiores empresas.

Dos escudos dos soldados passaram finalmente as armas para os brasões das famílias e nelas se perpetuaram pela sucessão dos filhos e descendentes, com tão políticas circunstâncias que criaram os príncipes reis de armas, passavantes e farautas para dar e regular o modo com que se hão-de trazer e com tão erudita variedade de peças e termos próprios como Besantes, Escaques, Manteleres, Veiros, Timbres, Palos, Faixas, Bandas e Contrabandas, Escudos franchados e empequetados, cruzes, Floreteados, cruzes potentes, leões ranpantes ou rompentes, cervos correntes, ursos levantantes, onças faltantes, etc. que hoje não cabem em grandes vocabulários todas as expressões de armaria (...)

Armas com diferença e com mistura, como são as dos filhos segundo nas quais se assenta no canto do escudo uma flor, uma estrela, um pássaro ou outra coisa semelhante (...).

As armas são verdadeiras quando nas peças principais uma cor não se assenta sobre outra, nem um metal sobre outro, o que nas peças menos principais não importa (...) No escudo de armas, não entra das cores se não o vermelho, o azul, o negro e o verde e dos metais, o ouro e a prata (...)[2].

Notas

  1. Bluteau, Vocabulario Portuguez e latino (Tomo I: Letra A), 502-503.
  2. Bluteau, Vocabulario Portuguez e latino (Tomo I: Letra A), 504-508.

Bibliografia e Fontes

  • Bluteau, Rafael. Vocabulario portuguez e latino, aulico, anatomico, architectonico, bellico, botanico, brasilico, comico, critico, chimico, dogmatico, dialectico, dendrologico, ecclesiastico, etymologico, economico, florifero, forense, fructifero... autorizado com exemplos dos melhores escritores portugueses, e latinos... Tomo I: Letra A. Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1712.