Tomé Pinheiro de Miranda

From eViterbo
Jump to navigation Jump to search


Tomé Pinheiro de Miranda
Nome completo Tomé Pinheiro de Miranda
Outras Grafias valor desconhecido
Pai valor desconhecido
Mãe valor desconhecido
Cônjuge valor desconhecido
Filho(s) valor desconhecido
Irmão(s) valor desconhecido
Nascimento valor desconhecido
Valença do Minho, Viana do Castelo, Portugal
Morte 1681
São Luís, Maranhão, Brasil
Sexo Masculino
Religião Cristã
Residência
Residência Lisboa, Lisboa, Portugal
Data Início: 1663
Fim: 1666

Residência Valença do Minho, Viana do Castelo, Portugal
Data Início: 1666
Fim: 1671

Residência São Luís, Maranhão, Brasil
Data Início: 1671
Fim: 1681
Formação
Formação Engenharia Militar
Data Início: 1663
Fim: 1665
Local de Formação Lisboa, Lisboa, Portugal
Postos
Posto Ajudante
Data Início: 1666
Fim: 1671
Arma Infantaria

Posto Capitão
Data Início: 1671
Fim: 1681
Arma Infantaria
Cargos
Cargo Engenheiro
Data Início: 1671
Fim: 1681
Actividade
Actividade Desenho de fortificação
Data Início: 1665
Fim: 1665
Local de Actividade Setúbal, Setúbal, Portugal

Actividade Desenho de fortificação
Data Início: 1671
Fim: 1681
Local de Actividade São Luís, Maranhão, Brasil


Biografia

Dados biográficos

Tomé Pinheiro de Miranda era natural de Valença do Minho, desconhecendo-se a sua data de nascimento. Realizou a sua formação na Aula de Fortificação de Lisboa com Luís Serrão Pimentel, na qualidade de aluno partidista, provavelmente, entre 1663 e 1666. Sabe do seu percurso profissional que se encontrou servindo no Minho, sob as ordens de Miguel Lescol, desde 1666 até data incerta, e, depois, a partir de princípios do ano de 1669 até ao seu embarque definitivo para o Estado do Maranhão e Grão Pará em 1671. Faleceu em São Luís no Estado do Maranhão em 1681[1].

Carreira

Quando Tomé Pinheiro de Miranda pediu o posto de engenheiro das fortificações em 1666, elucidava sobre o seu percurso de formação, afirmando ter “aprendido mais de dois anos a arte das fortificações na aula de matemática e algumas obras em Vila Viçosa, no Castelo de Montemor, em Estremoz e no desenho que o dito engenheiro-mor fez em Évora e no verão passado em Setúbal, Sesimbra e Alcácer, viu e ajudou nos desenhos, e tirou por sua ordem a planta de Setúbal, que é mais exata que se tirou e já de antes tinha assistido em outras partes”[2].

Com efeito, a informação prestada por Luís Serrão Pimentel confirmava que “o suplicante é muito bom sujeito e que sabe bem debuxar e teve tanta curiosidade de aprender que foi as férias passadas a Setúbal com ele engenheiro-mor, ao desenho das obras daquela praça e tirou uma planta de toda a fortificação muito exatamente, e já nas férias de 1664 tinha ido a Montemor assistir nas obras o Castelo, que se fez e assim o julga o engenheiro mor por muito merecedor de que V. Majestade o despache como aos mais condiscípulos seus, pois virá a ser muito bom engenheiro com o exercício”[2].

Tendo sido pensado para servir, inicialmente, no Alentejo, foi por pedido seu que foi nomeado ajudante engenheiro para servir na província do Entre Douro e Minho, de que recebeu patente em 30 de Agosto de 1666. Em carta de 27 de Dezembro de 1668, dirigida ao Conselho de Guerra, Miguel Lescol solicitava que lhe concedessem três auxiliares, mencionando expressamente o nome de Tomé Pinheiro de Miranda, pelo que corresponde ao período intermédio de ausência deste. O Conselho, em resposta, realçava o mérito de Lescole que a tudo acudia “sem ter os oficiais que havia no Exército do Alentejo"[1], pelo que o pedido seria atendido em resolução do mesmo Conselho datada de 7 de Fevereiro de 1669[1].

Em petição apresentada ao Conselho Ultramarino em 1670, refere que, tendo sido avisado pelo engenheiro-mor Luís Serrão Pimentel, que deveria transferir-se para o Estado do Maranhão "para lá desenhar, por em execução e construir as fortificações necessárias naquele Estado e que o dito engenheiro mor mandará outro discípulo da Aula para assistir às fortificações do Minho que basta ainda que de novo seja dos da Aula por haver de assistir a prática com o Mestre de Campo Miguel de Lescol até ter tomado bastante da prática". Inferindo que, assim, tenha ocorrido, terá terminado a sua formação antes de 1666, ano em que, seguramente, já está no Minho às ordens de Miguel Lescole, adquirindo com este a prática da sua profissão. Com efeito, no mesmo documento, o próprio confirmava haver servido "muitos anos de engenheiro da província do Minho, desenhando e obrando nas fortificações onde lhe ordenava o Marechal de Campo Miguel Lescol", tendo inclusive feito "obras em terras da Galiza em tempo de guerra"[3].

Como a viagem ao Maranhão era “dilatada e de grandes custos”, Tomé Pinheiro de Miranda pediu ajuda de custo, justificando que esta tinha sido dada a António Correia Pinto, que havia sido enviado para Pernambuco. Em particular, argumentava com a questão etária, explicando que Correia Pinto havia sido “discípulo da mesma Aula do Engenheiro-Mor", mas que embora tivesse "praticado nas fortificações", "era mais moderno que o suplicante” - ou seja, mais novo. Na mesma petição, reclamava para si, além da ajuda de custo, o posto de capitão de infantaria com o respectivo soldo e o hábito de Cristo. Os conselheiros do Conselho Ultramarino concordavam que se devia dar o posto e o soldo de capitão de infantaria, em que o governador o deveria prover uma vez chegado ao Maranhão, assim como “lhe repartir terra como lhe parecer para a beneficiar”. Acatavam também o pedido de ajuda de custo para ele pudesse viajar com o governador Pedro César de Meneses, tendo em conta a necessidade de acudir, urgentemente, às fortificações do Estado. Contudo, nada se diz acerca do hábito de Cristo. A carta patente está datada de 19 de Janeiro de 1671, a mesma data de quando foi nomeado engenheiro do Estado do Maranhão, com posto de capitão de infantaria[3].

Tomé Pinheiro de Miranda permaneceu no Estado do Maranhão até à sua morte, que terá ocorrido em 1681, pois uma consulta do Conselho Ultramarino, desse ano, refere a necessidade de o substituir[4]. Em 1685, Pedro de Azevedo Carneiro foi nomeado para a sua vaga[5].  

Outras informações

Como vários outros governadores do Estado do Maranhão e Grão Pará, Pedro César de Meneses residiu boa parte do seu tempo de governo em Belém. Nesse contexto, é provável que Tomé Pinheiro de Miranda, na qualidade de engenheiro do Estado, tenha realizado várias diligências do seu serviço no Grão Pará. Entre estas, poderá ter dirigido a instalação dos colonos açorianos, que chegaram em Belém em 1676, o que exigiu a abertura de uma nova rua na cidade, que tomou o nome de rua de São Vicente. A rua foi aberta no lado oriental da travessa da Misericórdia, constituindo o terceiro eixo do bairro da Campina[6].

O ano de 1676 marcou também a decisão camarária de, finalmente, construir uma casa para abrigar os governadores em Belém, resolvendo assim o incómodo de desalojar os moradores das melhores casas, tendo em conta sobretudo a decisão tomada por Pedro César de Meneses de se instalar na cidade. A Casa da Residência ficou concluída em 1680, e é também possível que possa ter tido a interferência do engenheiro Tomé Pinheiro de Miranda[6].

Notas

  1. 1,0 1,1 1,2 Soromenho, "Manuel Pinto de Vilalobos", 22; 41-42.
  2. 2,0 2,1 Sepúlveda, Historia organica e politica do Exercito Português, 8:198-203.
  3. 3,0 3,1 Arquivo Histórico Ultramarino, ACL_CU_009, cx. 5, d. 556. Consulta do Conselho Ultramarino para o Príncipe regente D. Pedro, sobre o pedido do engenheiro Tomé Pinheiro de Miranda, que vai para o Maranhão e deseja uma ajuda de custo. 21 de Janeiro de 1671.
  4. Arquivo Histórico Ultramarino, Consultas Mistas, cód. 17, 335v.-336. Nomeação de pessoas para o posto de capitão engenheiro que estava vago no Maranhão por morte de Tomé Pinheiro de Miranda. 27 de Agosto de 1681.
  5. Viterbo, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, 2:277.
  6. 6,0 6,1 Araújo, As Cidades da Amazónia no século XVIII.

Fontes

Arquivo Histórico Ultramarino, ACL_CU_009, cx. 5, d. 556. Consulta do Conselho Ultramarino para o Príncipe regente D. Pedro, sobre o pedido do engenheiro Tomé Pinheiro de Miranda, que vai para o Maranhão e deseja uma ajuda de custo. 21 de Janeiro de 1671.

Arquivo Histórico Ultramarino, Consultas Mistas, cód. 17, 335v.-336. Nomeação de pessoas para o posto de capitão engenheiro que estava vago no Maranhão por morte de Tomé Pinheiro de Miranda. 27 de Agosto de 1681.

Bibliografia

Araujo, Renata. As Cidades da Amazónia no século XVIII: Belém, Macapá e Mazagão. Porto: Faup, 1998.

Sepúlveda, Cristóvão Aires de Magalhães. Historia organica e politica do exercito portuguez: provas. Vol. 8. Lisboa Coimbra: Imprensa Nacional; Imprensa da Universidade, 1919.

Soromenho, Miguel. "Manuel Pinto de Vilalobos: Da Engenharia Militar à Aquitectura". Dissertação de Mestrado, Universidade Nova de Lisboa, 1991.

Viterbo, Francisco de Sousa. Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portugueses ou a serviço de Portugal. Vol. 2. Lisboa: Tipografia da Academia Real das Ciências, 1904.

Autor(es) do artigo

Renata Araújo

CHAM - Centro de Humanidades, FCSH, Universidade Nova de Lisboa e Universidade do Algarve

https://orcid.org/0000-0002-7249-1078

Financiamento

Fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto TechNetEMPIRE | Redes técnico-científicas na formação do ambiente construído no Império português (1647-1871) PTDC/ART-DAQ/31959/2017

DOI

https://doi.org/10.34619/ljm1-irqv

Citar este artigo

Araujo, Renata. "Tomé Pinheiro de Miranda", in eViterbo. Lisboa: CHAM - Centro de Humanidades, FCSH, Universidade Nova de Lisboa, 2022. (última modificação: 24/07/2023). Consultado a 18 de abril de 2024, em https://eviterbo.fcsh.unl.pt/wiki/Tom%C3%A9_Pinheiro_de_Miranda. DOI: https://doi.org/10.34619/ljm1-irqv