Manuel Pimentel

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Manuel Pimentel
Nome completo Manuel Pimentel
Outras Grafias Manoel Pimentel
Pai Luís Serrão Pimentel
Mãe Isabel de Godines
Cônjuge Clara Maria de Miranda
Filho(s) Brites Teresa Pimentel, Luís Francisco Pimentel de Miranda
Irmão(s) Jorge Pimentel, Francisco Pimentel, Ana Maria Pimentel
Nascimento 10 março 1650
Lisboa, Lisboa, Portugal
Morte 19 abril 1719
Sexo Masculino
Religião Cristã
Residência
Residência Lisboa, Lisboa, Portugal
Formação
Local de Formação Lisboa, Lisboa, Portugal

Data Fim: 1674
Instituição de Formação Universidade de Coimbra
Local de Formação Coimbra, Coimbra, Portugal
Cargos
Cargo Cosmógrafo-mor
Data Início: 1680
Fim: 1687

Cargo Cosmógrafo-mor
Data Início: 1687
Fim: 1719

Cargo Professor
Data Início: 1684
Fim: 1685


Biografia

Dados biográficos

Manuel Pimentel nasceu em Lisboa a 10 de Março 1650, tendo sido baptizado na igreja paroquial de Santa Justa a 20 de Março de 1650. Era o segundo filho de Luís Serrão Pimentel e sua mulher Isabel de Godines[1], sendo assim dois anos mais velho do que seu irmão Francisco Pimentel.

Segundo Barbosa Machado, a principal fonte para os seus dados biográficos, estudou no Colégio de Santo Antão em Lisboa, destacando-se na língua latina e como poeta, pois aos quatorze anos escreveu a Vida de S. Francisco Xavier em mais de oitocentos versos[1]. Na opinião de Luís de Albuquerque é provável que tenha também frequentado a Aula da Esfera no mesmo colégio jesuíta[2]. Graduou-se na Universidade de Coimbra em Leis e Cânones, no ano de 1674.

Para além da língua latina, dominaria igualmente o castelhano, italiano e francês. Além da sua particular apetência por matérias científicas e sendo já cosmógrafo-mor, continuou a distinguir-se na poesia latina, destacando a sua participação nas academias literárias, como a Academia dos Generosos (a que já tinha pertencido seu pai) e em 1717 na renovada Academia Portuguesa, promovida pelo conde da Ericeira, D. Francisco Xavier de Meneses, onde recitou várias lições de Filologia e Filosofia Moral. Dotado de personalidade brilhante e afável, a sua casa seria frequentada pelas mais ilustres pessoas do reino[1].

Contraiu matrimónio em 1689 com a sua prima Clara Maria de Miranda, filha de Filipe Serrão Pimentel e de Brites Aires Teresa, e do qual nasceram Brites Teresa Pimentel e Luís Francisco Pimentel de Miranda, este último nascido em 1692 e que lhe sucedeu no cargo de cosmógrafo-mor.

Por alvará de 26 Outubro de 1709, D. João V fez mercê a Manuel Pimentel de o "tomar por fidalgo cavaleiro de sua casa", isto "em satisfação dos seus serviços referidos e da metade dos que lhe pertencem do dito seu irmão Francisco Pimentel."[3]. Faleceu em 19 de Abril de 1719, depois de uma "colírica "e foi sepultado na capela familiar do claustro do Convento de Carmo em Lisboa. Foi objecto de diversos elogios literários póstumos[1].

Carreira

Depois da morte de seu pai, em 1679, passou a exercer o cargo de cosmógrafo-mor do reino[4], tendo oficialmente começado a servir em 30 de Janeiro de 1680[5]. Mas somente sete anos depois, a 23 de Outubro de 1687, recebeu a régia "mercê da propriedade do mesmo ofício com ordenado anual de 60 mil réis e três moios de trigo"[6][7]. Nestes documentos são enumerados os serviços prestados no exercício interino do cargo, especificando que Manuel Pimentel tinha sido submetido a "exame a que presidiu o Vedor da minha fazenda da repartição dos meus armazéns e haver acabado e dada à imprensa a Arte de Navegar e Regimento dos Pilotos [...] que tinha deixado composto o dito seu Pai."[6][7].

Ficamos a saber que do mérito dos seus serviços consta a participação no ano de 1681 na junta de peritos que se reuniu em Elvas e Badajoz, para discussão dos direitos portugueses sobre a Colónia de Sacramento no rio da Prata. Barbosa Machado acrescenta ainda que do grupo fariam parte o matemático padre João Duarte Costa e os desembargadores Sebastião Cardoso de Sampaio e Manuel Lopes de Oliveira, e que a este a propósito Manuel Pimentel "compôs doutos tratados" demonstrando a precedência portuguesa na reclamação fronteiriça[3][1].

Refere-se ainda que durante a ausência de seu irmão Francisco Pimentel nas campanhas militares centro-europeias, em 1684 e 1685, ficou lendo "a fortificação e outras matérias na Aula Régia mais de dois anos sem soldo nem emolumento"[6][7]. Idêntica circunstância aconteceu quando o seu irmão assistiu durante treze meses na praça de Mazagão, e neste exercício esteve "lendo e escrevendo vários tratados"[3].

É muito provável que tal substituição nos impedimentos de Francisco Pimentel na Aula de Fortificação de Lisboa, tenha ocorrido em outras ocasiões, até porque se conservam pareceres assinados por Manuel Pimentel sobre assuntos militares: em 1707, no âmbito do Conselho Ultramarino escreveu um longo e importante memorando sobre os livros e instrumentos, em resposta a uma petição do engenheiro Diogo da Silveira Veloso, lente da Aula de Fortificação do Recife (Pernambuco)[8][9]; em 1710 informava uma petição de Manuel da Maia[10][11].

Este desempenho docente coloca naturalmente a questão de se saber qual a situação da Lição de Navegação assegurada por Luís Serrão Pimentel, na sua qualidade de cosmógrafo-mor.

Sabemos que em 1713 o seu filho Luís Francisco Pimentel de Miranda se tornou cosmógrafo-mor interino, por "que o dito seu Pai por achaques que padecia se achava com algum impedimento para o exercício do dito cargo e pelo ter servido em ocasiões semelhantes"[12][13][7][14]. No entanto, Manuel Pimentel foi ainda em 1718 nomeado mestre do príncipe D. José, a quem ensinou Geografia e Náutica[15].

Outras informações

Obras

Deixou algumas obras manuscritas, nomeadamente poemas e lições académicas, que são apontadas por Barbosa de Machado como estando na posse de seu filho. Conservam-se de facto diversas cópias manuscritas, algumas com a marca de posse de Luís Francisco Pimentel, do Compêndio de Doutrina Esférica e Tratados de trigonometria (Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Biblioteca Nacional de Portugal e Biblioteca Pública de Braga).

Publicação da obra de Luís Serrão Pimentel, Arte pratica de navegar: e Regimento de pilotos repartido em duas partes a primeira propositiva, em que se propoem alguns principios para melhor inteligencia das regras da navegação: a segunda operativa em que se ensinaõ as mesmas regras para a pratica: juntamente os Roteiros das navegaçoens das conquistas de Portugal, & Castela. Lisboa: Antonio Craesbeeck de Mello, 1681; é Manuel Pimentel que assina a dedicatória ao Príncipe D. Pedro.

Impressos da sua autoria:

Arte prática de navegar e Roteiro das viagens, e costas marítimas do Brasil, Guiné, Angola, Índias, e Ilhas Orientaes, e Occidentaes agora novamente emendada, e acrescentado o Roteiro da Costa de Hespanha, e Mar Mediterraneo. Lisboa: Bernardo da Costa de Carvalho, 1699.

Arte prática de navegar, em que se ensinão as regras praticas, e o modo de Cartear pela Carta plana, ereduzida, o modo de Graduar a Balestilha por via dos nueroso, e muitos problemas uteis à navegação, e Roteiro das viagens, e costas maritimas da Guiné, Brasil e Indias Orienates, e Occidentaes agora novamente emendadas e acrecentadas muitas derrotas novas. Lisboa: Oficina Deslandina, 1712.

Notas

  1. 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4 Machado, Biblioteca Lusitana, III, 338-340.
  2. Albuquerque, "Manuel Pimentel", 80.
  3. 3,0 3,1 3,2 Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, Lv. 3, fl. 403-404, alvará de mercê de fidalgo cavaleiro a Manuel Pimentel, 26 Outubro de 1709.
  4. Machado, Biblioteca Lusitana, III, 338-340; segundo Barbosa Machado, pela razão de seu irmão não o querer, questão difícil de esclarecer já que o primogénito seria Jorge Pimentel, que terá seguido a vida religiosa.
  5. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, Lv. 3, fl. 403-404, alvará de mercê de fidalgo cavaleiro a Manuel Pimentel, 26 Outubro de 1709.
  6. 6,0 6,1 6,2 Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelaria de D. Pedro II, Lv. 64, fl. 218 v., carta de nomeação de Manuel Pimentel como cosmógrafo-mor, 23 de Outubro de 1687.
  7. 7,0 7,1 7,2 7,3 Correia, "A arte de navegar", 125, 205-207.
  8. Arquivo Histórico Ultramarino, AHU_ACL_CU_015, Cx. 22, D. 2030, Consulta do Conselho Ultramarino sobre o requerimento do capitão engenheiro Diogo da Silveira Veloso, 27 de Janeiro de 1707.
  9. Ribeiro, "A formação dos engenheiros militares", 170-171.
  10. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Conselho de Guerra, Consultas, maço 69, Consulta de 3 de Fevereiro de 1710.
  11. Ribeiro, "A formação dos engenheiros militares", 79.
  12. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelaria de D. João V, Lv. 48, fl. 127 v., alvará de nomeação de Luís Francisco Pimentel de Miranda como cosmógrafo-mor interino, 13 de Agosto de 1713.
  13. Matos, "António de Mariz Carneiro", 158.
  14. Efectivamente, já depois da morte de Manuel Pimentel em 1719, foi seu filho provido definitivamente no cargo: Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelaria de D. João V, Lv. 66, fl. 175 v., carta de mercê a Luís Francisco Pimentel de Miranda da propriedade do ofício de cosmógrafo-mor, 17 de Dezembro de 1723.
  15. Sousa, História Genealógica da Casa Real, tomo VIII: 339-341.

Fontes

Arquivo Histórico Ultramarino, AHU_ACL_CU_015, Cx. 22, D. 2030, Consulta do Conselho Ultramarino sobre o requerimento do capitão engenheiro Diogo da Silveira Veloso, 27 de Janeiro de 1707.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelaria de D. Pedro II, Lv. 64, fl. 218 v., carta de nomeação de Manuel Pimentel como cosmógrafo-mor, 23 de Outubro de 1687.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelaria de D. João V, Lv. 48, fl. 127 v., alvará de nomeação de Luís Francisco Pimentel de Miranda como cosmógrafo-mor interino, 13 de Agosto de 1713.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelaria de D. João V, Lv. 66, fl. 175 v., carta de mercê a Luís Francisco Pimentel de Miranda da propriedade do ofício de cosmógrafo-mor, 17 de Dezembro de 1723.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Conselho de Guerra, Consultas, Maço 69, Consulta de 3 de Fevereiro de 1710.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Pedro II, Lv. 3, fl. 261 v., 409.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, Lv. 3, fl. 403-404, alvará de mercê de fidalgo cavaleiro a Manuel Pimentel, 26 Outubro de 1709.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Inventários post mortem, letra L, maço 44, nº 14, inventários dos bens de Luís Francisco Pimentel.

Bibliografia

Albuquerque, Luís de. “Manuel Pimentel", Dicionário de História de Portugal, dir. Joel Serrão, vol. V, 80. Porto: Livraria Figueirinhas, 1984.

Albuquerque, Luís, Armando Cortesão e Fernanda Aleixo, ed. Manuel Pimentel, Arte de Navegar. Lisboa: Junta de Investigações Científicas do Ultramar, 1969.

Conde, Antónia Fialho. "Manuel Pimentel", Dicionário de Cientistas, Engenheiros e Médicos Portugueses. Lisboa: CIUHCT, 2022; on-line. Consultado a 1 de Setembro de 2022.

Correia, Carlos Alberto Calinas. "A arte de navegar de Manuel Pimentel (as edições de 1699 e 1712)". Dissertação de Mestrado, Universidade de Lisboa, 2010.

Ferreira, Nuno Alexandre Martins. "Luís Serrão Pimentel (1613-1679): Cosmógrafo Mor e Engenheiro Mor de Portugal." Dissertação de Mestrado, Universidade de Lisboa, 2009.

Machado, Diogo Barbosa. Biblioteca Lusitana, Histórica, Artística e Cronológica, vol. III. Coimbra: Atlântica Editora (1752) 1966.

Matos, Rita Cortês de. "António de Mariz Carneiro Cosmógrafo-Mor de Portugal". Dissertação de Mestrado, Universidade de Lisboa, 2002.

Olival, Fernanda. "O acesso de uma família de cristãos-novos portugueses à Ordem de Cristo", Ler História 33 (1997): 67-82.

Ribeiro, Dulcyene Maria. "A formação dos engenheiros militares: Azevedo Fortes, Matemática e ensino da Engenharia Militar no século XVIII em Portugal e no Brasil". Tese de Doutoramento, Universidade de São Paulo, 2009.

Sousa, António Caetano, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, tomo VIII. Lisboa Regia Officina Sylviana e da Academia Real, 1741.

Ligações Externas

Autor(es) do artigo

Margarida Tavares da Conceição

IHA - Instituto de História da Arte, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa / IN2PAST — Laboratório Associado para a Investigação e Inovação em Património, Artes, Sustentabilidade e Território

https://orcid.org/0000-0003-3041-9235.

Financiamento

Fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto TechNetEMPIRE | Redes técnico-científicas na formação do ambiente construído no Império português (1647-1871) PTDC/ART-DAQ/31959/2017

Instituto de História da Arte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, através do projeto estratégico financiado pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., ref. UID/PAM/00417/2019.

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