Jerónimo Velho de Azevedo

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Jerónimo Velho de Azevedo
Nome completo Jerónimo Velho de Azevedo
Outras Grafias Jerónimo Velho, Hyeronimo Velho de Azeuedo
Pai valor desconhecido
Mãe valor desconhecido
Cônjuge Mécia Coelha
Filho(s) António Velho de Azevedo, José Velho de Azevedo
Irmão(s) valor desconhecido
Nascimento valor desconhecido
Braga, Braga, Portugal
Morte 1707
Sexo Masculino
Religião Cristã
Residência
Residência Almeida, Guarda, Portugal
Data Início: 1661
Formação
Formação Engenharia Militar
Data Fim: 1661
Local de Formação Lisboa, Lisboa, Portugal
Postos
Posto Ajudante
Data Início: 1661
Fim: 1670

Posto Capitão Engenheiro
Data Início: 1670
Fim: 1677
Arma Infantaria

Posto Sargento-mor
Data Início: 13 de outubro de 1677
Cargos
Cargo Engenheiro
Data Início: 1670

Cargo Professor
Data Início: 06 de setembro de 1686

Cargo Governador
Data Início: 1701
Actividade
Actividade Desenho de fortificação
Data Início: 1661
Local de Actividade Beira Alta, Portugal

Actividade Desenho de arquitectura
Data Início: 1674
Local de Actividade Almeida, Guarda, Portugal

Actividade Professor
Data Início: 1686
Local de Actividade Almeida, Guarda, Portugal

Actividade Levantamento do território
Data Início: 1693
Local de Actividade Beira Alta, Portugal

Actividade Reparação
Data Início: 1684
Local de Actividade Pinhel, Guarda, Portugal


Biografia

Dados biográficos

Jerónimo Velho de Azevedo terá sido, possivelmente, natural de Braga. Realizou a sua formação na Aula de Fortificação de Lisboa, onde foi examinado por Luís Serrão Pimentel em 1661, sendo este assistido na ocasião por Bartolomeu Zenit, Diogo Truel de Cohon e pelo sargento-mor Simão Madeira[1][2][3]. Foi casado com Mécia Coelha, de cujo casamento resultou o nascimento de António Velho de Azevedo e José Velho de Azevedo, também engenheiros militares. Sabe-se que já tinha falecido em 1707, ano que se tomará como referência para a data da sua morte[4].

Carreira

Começou a prestar serviço em 1661 na Beira como ajudante de fortificação[5] e assistindo Diogo Truel de Cohen, o engenheiro das fortificações da mesma província. Em 1664, quando este pediu licença para regressar a França, alegou que poderia ser substituído pelo seu ajudante, que "é hoje muito capaz para servir no dito ofício e posto"[6][7].

Em 1670, um despacho relativo ao pagamento do soldo, no valor de doze mil réis mensais, confirma que Jerónimo Velho trabalhou na província da Beira, mas já com o posto de capitão engenheiro[8][9]. Em 1673, acompanhou Luís Serrão Pimentel quando este se deslocou à província da Beira, juntamente com Miguel de Lescole e alguns discípulos da aula, como João Coutinho, a fim de testar no terreno o novo "método de desenhar as fortificações"[10][11].

Alguns anos mais tarde, em 1677, foi promovido a sargento-mor ad honorem - e engenheiro das fortificações, ou com exercício de engenheiro nas províncias de Trás-os-Montes, Minho e Beira -, sendo o soldo acrescentado, totalizando dezasseis mil réis mensais[12][9].

Por alvará de 6 de Setembro de 1686 foi autorizado, na qualidade de sargento-mor engenheiro, a dar lição em Almeida e Penamacor sobre matérias relacionadas com a fortificação e arte militar, considerando-se este processo como o início da Aula de Fortificação de Almeida[13][4]. Estando em causa a pouca aplicação dos ajudantes dos terços, a coroa consentia que:

"(...) pela muita ciência que tem em todas as formas dos terços e exercícios de ler [Jerónimo Velho] poderia pôr escola para ensinar em seis meses do ano, três na praça de Almeida e outros três na de Penamacor (...) e em cada um dos meses que nelas der Lição se lhe dê cinco mil réis de ajuda de custo (...) [lição] que não será somente dos esquadros, formaturas dos terços, Reduções e manejos mas também com obrigação de dar apostilha da ofensa e defesa das Praças e forma em que se devem cobrir os exércitos na campanha, dando um dia Lição de uma matéria, e outro da outra alternativamente"[14].

A carta régia de 21 de Julho de 1701, que decretou a criação de aulas de fortificação em várias províncias do reino, indicava Jerónimo Velho de Azevedo como engenheiro responsável pela aula de fortificação da província da Beira. Nomeava também Manuel Mexia e Manuel Pinto de Vilalobos para outras províncias, por serem considerados muito capazes de dar doutrina proveitosa a soldados ou outros que tivessem capacidade para o estudo de fortificações[15].

Neste período contaria já com a ajuda do seu filho António Velho de Azevedo, que já por volta de 1693 tinha ido "visitar a costa, barras e enseadas e lugares marítimos daquela Província [da Beira] (...) ajudando a seu Pai o Sargento mor engenheiro Jerónimo Velho de Azevedo no grande trabalho que teve em medir as distâncias, tomar as alturas e fazer o mapa de toda a costa marítima"[16][17].

Terá trabalhado quase sempre na província da Beira, havendo no entanto referência a uma deslocação a Chaves em 1700, onde assistiu Miguel de Lescole[18][19], vindo depois a dar parecer sobre as opções de fortificação da praça transmontana desenvolvidas por António Rodrigues Ribeiro.

Em 1701, tendo já recebido a patente de tenente-general de artilharia, foi encarregado do Governo das Armas da Praça de Almeida[20][21].

Outras informações

Quando estava em Almeida, ao ter participado numa incursão militar em Dezembro de 1663, foi capturado pelos espanhóis e feito prisioneiro em Ciudad Rodrigo, durante cerca de cinco meses, "porque o acharam com os instrumentos de engenheiro"; no Conselho de Guerra foi dado parecer favorável para troca de prisioneiros, assinado pelo Conde da Ericeira, em resposta à petição de sua mulher Mécia Coelha, que neste documento refere que o seu marido servia na Beira há quatro anos, onde tinha feito várias fortificações[22][9].

Obras

Não é possível distinguir com clareza as obras em que Jerónimo Velho de Azevedo esteve envolvido nas províncias de Trás-os-Montes, Minho e Beira. Pode-se somente presumir a sua participação na fase final das principais obras da fortaleza de Almeida, sendo provável que seja da sua responsabilidade o desenho das Portas de Santo António, construídas ou concluídas entre 1674 e 1676, bem como da Igreja da Misericórdia da mesma vila, edificada por volta de 1686 ou 1692[23].

Entre as diversas tarefas atribuídas ao engenheiro da província, contam-se vistorias e obras mais pontuais de reparação ou acrescento de elementos defensivos em recintos medievais, como foi o caso, em 1684, quando foi mandado "Reedificar a Torre da Vila de Pinhel até à altura da muralha, e que nela não haja a escada que tem, nem descida de fora para dentro"[24][25].

Nesse mesmo ano de 1684, há referência às relações enviadas por Jerónimo Velho sobre as "ruínas que fizeram as contínuas águas e neves de inverno (...) nas muralhas e castelos das praças" da província da Beira[25][26].

Em 1693, regista-se a actividade de levantamento topográfico para produção de um mapa da costa marítima da Beira[16][17].

Notas

  1. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Decretos, mç. 20, nº 13. 18 de Fevereiro de 1661.
  2. Viterbo, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, 3:171.
  3. Sepúlveda, Historia organica e politica do Exercito Português, 16:145.
  4. 4,0 4,1 Conceição, Da Vila Cercada à Praça de Guerra, 77; 285.
  5. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Registo de Patentes da Vedoria da Beira, lv. 260, fl. 31v., 32. Carta patente 19 de Fevereiro de 1661.
  6. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Consultas, mç. 24. 6 de Novembro de 1664.
  7. Sepúlveda, Historia organica e politica do Exercito Português, 16:151.
  8. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra, lv. 33, fl. 142. Alvará de 4 de Março de 1670, despacho de 13 Janeiro 1671.
  9. 9,0 9,1 9,2 Sepúlveda, Historia organica e politica do Exercito Português, 7:113-114; 8:658-661.
  10. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Consultas, mç. 33. Parecer de Luís Serrão Pimentel datado de 26 de Junho de 1674.
  11. Ferreira, "Luís Serrão Pimentel", 156-158.
  12. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra, lv. 37, fl. 68. Carta patente de 13 de Outubro de 1677.
  13. Soromenho, Manuel Pinto de Vilalobos, 22-23.
  14. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho da Guerra, lv. 40, fl. 232, 232v..
  15. Arquivo Histórico Militar. F. 3, s. 5.3, cx. 6, pç. 12. Cópia do decreto de 20 de Julho de 1701.
  16. 16,0 16,1 Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Consultas, mç. 55. 8 de Janeiro de 1696.
  17. 17,0 17,1 Soromenho, "Descrever, registar, instruir", 23.
  18. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Decretos, nº 11. 20 de Abril de 1700.
  19. Chaby, Synopse dos Decretos, 3:313-315.
  20. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Decretos, mç. 60, nº 34. 25 de Agosto de 1701.
  21. Chaby, Synopse dos Decretos, 3:326.
  22. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Consultas, mç. 24. Parecer de 15 de Maio de 1664, despacho régio de 20 de Maio de 1664.
  23. Conceição, Da Vila Cercada à Praça de Guerra, 195-196; 285.
  24. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra, lv. 41, fl. 201 v., fl. 233. 22 de Agosto de 1684.
  25. 25,0 25,1 Sepúlveda, Historia organica e politica do Exercito Português, 7:115; 8:660-661.
  26. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra, lv. 41, fl. 233. 22 de Agosto de 1684.

Fontes

Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Consultas, mç. 24. Parecer de 15 de Maio de 1664, despacho régio de 20 de Maio de 1664.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Consultas, mç. 24. 6 de Novembro de 1664.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Consultas, mç. 33. Parecer de Luís Serrão Pimentel datado de 26 de Junho de 1674.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Consultas, mç. 55. 8 de Janeiro de 1696.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Decretos, mç. 20, nº 13. 18 de Fevereiro de 1661.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Decretos, mç. 60, nº 34. 25 de Agosto de 1701.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Decretos, nº 11. 20 de Abril de 1700.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra, lv. 33, fl. 142. Alvará de 4 de Março de 1670, despacho de 13 Janeiro 1671.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra, lv. 37, fl. 68. Carta patente de 13 de Outubro de 1677.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Conselho da Guerra, lv. 40, fl. 232, 232v..

Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra, lv. 41, fl. 201v., fl. 233. 22 de Agosto de 1684.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Conselho de Guerra. Registo de Patentes da Vedoria da Beira, lv. 260, fl. 31v., 32. Carta patente 19 de Fevereiro de 1661.

Arquivo Histórico Militar. F. 3, s. 5.3, cx. 6, pç. 12. Cópia do decreto de 20 de Julho de 1701.

Bibliografia

Chaby, Cláudio Bernardo Pereira de. Synopse dos Decretos Remettidos ao Extincto Conselho da Guerra.... Vol. 3. Lisboa: Imprensa Nacional, 1869-1889.

Conceição, Margarida Tavares da. Da Vila Cercada à Praça de Guerra, Formação do Espaço Urbano em Almeida (séculos XVI - XVIII). Lisboa: Livros Horizonte, 2002.

Ferreira, Nuno Alexandre Martins. "Luís Serrão Pimentel (1613-1679): Cosmógrafo Mor e Engenheiro Mor de Portugal". Dissertação de Mestrado, Universidade de Lisboa, 2009.

Sepúlveda, Cristóvão Aires de Magalhães. Historia organica e politica do Exercito Português. Vol. 7. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1913.

Sepúlveda, Cristóvão Aires de Magalhães. Historia organica e politica do Exercito Português. Vol. 8. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1919.

Sepúlveda, Cristóvão Aires de Magalhães. Historia organica e politica do Exercito Português. Vol. 16. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1929.

Soromenho, Miguel. "Manuel Pinto de Vilalobos, da Engenharia Militar à Arquitectura". Dissertação de Mestrado, Universidade Nova de Lisboa, 1991.

Soromenho, Miguel. "Descrever, registar, instruir. Práticas e usos do desenho". Em Ciência do Desenho. A Ilustração na Colecção de Códices da Biblioteca Nacional, 19-24. Lisboa: Biblioteca Nacional, 2001.

Viterbo, Francisco de Sousa. Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portugueses ou a serviço de Portugal. Vol. 3. Lisboa: Tipografia da Academia Real das Ciências, 1922.

Autor(es) do artigo

Margarida Tavares da Conceição

IHA - Instituto de História da Arte, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa / IN2PAST — Laboratório Associado para a Investigação e Inovação em Património, Artes, Sustentabilidade e Território

https://orcid.org/0000-0003-3041-9235

Financiamento

Fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto TechNetEMPIRE | Redes técnico-científicas na formação do ambiente construído no Império português (1647-1871) PTDC/ART-DAQ/31959/2017

Instituto de História da Arte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, através do projeto estratégico financiado pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., ref. UID/PAM/00417/2019

DOI

https://doi.org/10.34619/ojnk-zeai

Citar este artigo

Conceição, Margarida Tavares da. "Jerónimo Velho de Azevedo", in eViterbo. Lisboa: CHAM - Centro de Humanidades, FCSH, Universidade Nova de Lisboa, 2022. (última modificação: 11/07/2024). Consultado a 23 de julho de 2024, em https://eviterbo.fcsh.unl.pt/wiki/Jer%C3%B3nimo_Velho_de_Azevedo. DOI: https://doi.org/10.34619/ojnk-zeai