José Paes Esteves

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José Paes Esteves
Nome completo José Paes Esteves
Outras Grafias José Paes Estevens, Joseph Paes Estevens
Pai valor desconhecido
Mãe valor desconhecido
Cônjuge valor desconhecido
Filho(s) valor desconhecido
Irmão(s) valor desconhecido
Nascimento valor desconhecido
Morte 1710
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Sexo Masculino
Religião valor desconhecido
Residência
Residência Estremoz, Évora, Portugal
Data Início: 13 de julho de 1681
Fim: 03 de dezembro de 1686

Residência Recife, Pernambuco, Brasil
Data Início: 1687
Fim: 1692

Residência Salvador, Bahia, Brasil
Data Início: 1692
Fim: 1700
Formação
Formação Engenharia Militar
Postos
Posto Ajudante com exercício de Engenheiro
Data Início: 24 de novembro de 1682
Fim: 03 de dezembro de 1686
Arma Infantaria

Posto Capitão Engenheiro
Data Início: 03 de dezembro de 1686
Fim: 04 de dezembro de 1696
Arma Infantaria

Posto Sargento-mor
Data Início: 04 de dezembro de 1696
Fim: 1710
Arma Infantaria
Cargos
Cargo Professor
Data Início: 1696

Cargo Engenheiro
Data Início: 13 de julho de 1681
Actividade
Data Início: 1681
Fim: 1686
Local de Actividade Praça-Forte de Estremoz, Évora,-

Actividade Acompanhamento de obra
Data Início: 1689
Fim: 1689
Local de Actividade Forte de Santa Catarina do Cabedelo, Paraíba,-


Biografia

Dados biográficos

Até ao momento não foi possível determinar o local e data de nascimento de José Paes Esteves. O seu nome, grafado, normalmente, como Joseph Paes Estevens, pode indicar origem ou ascendência estrangeira. As primeiras informações, que se obtêm acerca dele, colocam-no em Estremoz desde, pelo menos, 1681. É possível que tenha realizado a sua formação na própria praça de Estremoz, onde, muito provavelmente, terá funcionado uma aula desde 1666, ministrada, incialmente, por Luís Serrão Pimentel.

Em 1687, José Paes Esteves foi para o Brasil com o posto de capitão engenheiro da capitania de Pernambuco, tendo aí residido por cerca de cinco anos. Em 1692, transferiu-se para Bahia, onde, em 1696, foi o primeiro lente da Aula Militar da Bahia. Em 1700, vai para Rio de Janeiro, onde permanecerá até a sua morte em 1710.

Carreira

Na carta-patente, que o nomeou capitão de infantaria ad honorem na qualidade de engenheiro da capitania de Pernanbuco, afirma-se que José Paes Esteves serviu em Estremoz por tempo de “cinco anos, quatro meses e vinte um dias”. Como a carta foi passada em 3 de Dezembro de 1686, deduz-se que esteve naquela capitania desde 13 de julho de 1681. No dia 24 de novembro de 1682, foi promovido ao posto de ajudante engenheiro por Dinis de Melo e Castro (1624-1709), 1.º conde das Galveias (1691), então, governador de armas do Alentejo.

A carta-patende indicava José Paes Esteves como “sujeito de muitas partes, grande escrivão e contador, e na sua profissão grande riscador de plantas e desenhos, prometendo sua muita suficiência e bom procedimento ser um perfeito engenheiro”, e que teria o soldo de 25.000 reis por mês, pagos por inteiro pelas rendas reais da capitania de Pernambuco[1].

Logo a seguir à sua nomeação, José Paes Esteves fez um requerimento em 5 de dezembro de 1686, ao rei, pedindo que os seus soldos se vencessem a partir do dia em que embarcasse para a capitania de Pernambuco, alegando que o mesmo já se tinha concedido a João Coutinho, seu antecessor no posto[2]. Invocando, novamente, o exemplo de João Coutinho pedia também, em 28 de fevereiro de 1687, que lhe fosse concedida ajuda de custo de oitenta mil reis. O parecer do conselho foi-lhe favorável, tendo em conta não apenas o exemplo do seu antecessor, mas igualmente “a boa opinião da suficiência que se tem deste sujeito e o muito que poderá ser de préstimo a Sua pessoa na capitania de Pernambuco”, que o Conselho sublinhava junto dos poderes régios. Em função, a provisão régia foi passada com data de 11 de maio de 1687[3].

Dois anos mais tarde, encontrava-se a trabalhar nas fortificações de Pernambuco e da região, tendo estado envolvido na obra da fortaleza de Cabedelo, na Paraíba, a decorrer nesse ano[4]. Em 1 de abril de 1692, a sua transferência para a capitania da Bahia foi determinada, mencionando, a respectiva portaria, a recomendação de que o engenheiro deixasse instruções relativas às fortificações de Pernambuco, que deveriam ser seguidas até a chegada no novo engenheiro que o substituiria, e que viria a ser Pedro Correia Rebelo[4].

Em 1696, o governador geral do Brasil, D. João de Lencastre, determinava que o capitão engenheiro deveria ir "todos os dias à tarde, à casa que tenho destinada junto ao corpo da guarda ensinar aos oficiais e aos soldados e mais pessoas que quiserem aprender, e dar lição da castramentação e da fortificação", estabelecendo assim o início da Aula Militar da Bahia [4]. A 4 de dezembro de 1696, foi nomeado sargento-mor da Bahia, com soldo de 26.000 reis por mês. A carta-patente confirmava e mantinha a obrigação de ensinar: “Faço saber aos que minha carta patente virem que tendo respeito a José Paes Esteves me estar servindo na praça da Bahia  de capitão engenheiro com zelo e assistência as fortificações e mais obras de que foi encarregado e atualmente estar lendo e ensinando a sua profissão na Aula que se instituiu da fortificação naquela cidade, e a boa informação que houve do seu procedimento (...) ei por bem e me paz de o nomear, como por esta nomeio, por sargento-mor para que com este posto e exercício de engenheiro na praça da Bahia vença vinte e seis mil reis de soldo por mês, com declaração que será obrigado a ensinar a sua profissão na aula, como presentemente está fazendo”[1].

Em 1699, o mesmo governador dava ordem de prisão a José Paes Esteves, estando em causa questões relativas a problemas em fortificações já construídas anteriormente, mas que se tinham arruinado e que levantavam suspeitas de que tivesse havido danos à fazenda real. Contudo, em 24 de janeiro de 1700, foi o próprio rei quem determinou que o engenheiro “sem embargo de estar preso, passe logo ao Rio de Janeiro e Santos para escolher os sítios e fazer os desenhos das fortificações que forem necessárias e depois de feitos se há de restituir outra vez a esta praça da Bahia”[4].

Paes Esteves não mais regressou a Bahia. Os últimos dez anos da sua vida, passou-os na capitania do Rio de Janeiro, atendendo aos trabalhos necessários na região, e sendo o responsável pela artilharia na capitania. Em 1703, era sargento-mor ainda, e sabe-se que estavam com ele no Rio de Janeiro, o capitão Diogo da Silveira Veloso, que viera provido para Montevidéo, mas que seria logo mandado para Pernambuco, onde parecia mais necessário; e, o capitão Manuel de Melo e Castro, recém nomeado para capitania.

Em 1709, já estava bastante adoentado. Com efeito, em consulta do Conselho Ultramarino relativa à urgente necessidade de nomear-se engenheiro para a capitania do Rio de Janeiro, constatava-se que “presentemente se acham dois na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, um por nome Manuel de Melo de Castro, e outro chamando José Paes Estevens, como o primeiro saiu da aula sem nenhum uso da fortificação, mas só com a doutrina das postilas, e o segundo ainda que com grande oposição se mostre ter aproveitado a sua ciência o que tem feito naquela praça, como seja notório que pelo achaque da gota está impossibilitado para cumprir com o desempenho das suas obrigações, nem possa sair para ir assistir ao que pedem ao do seu posto, e ir a maiores distâncias a desenhar o que for necessário nas praças subordinadas aquele governo o que se entender for útil para sua conservação”[5].

Em 1710, um documento relativo a José Vieira Soares, o engenheiro, entretanto, nomeado para o Rio de Janeiro, confirmava o falecimento de José Paes Esteves em data que se toma referência para a sua morte[6].

Notas

  1. 1,0 1,1 Viterbo, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, 1:305-306.
  2. Arquivo Histórico Ultramarino, ACL_CU_015, cx. 14, d. 1393. Consulta do Conselho Ultramarino ao rei D. Pedro II, sobre o requerimento do nomeado capitão engenheiro da capitania de Pernambuco José Paes Esteves, pedindo para que seus soldos se vençam a partir do dia que embarcar para a dita capitania. Lisboa, 5 de Dezembro de 1698.
  3. Arquivo Histórico Ultramarino, ACL_CU_015, cx. 14, d. 1403. Consulta do Conselho Ultramarino ao rei D. Pedro II, sobre o requerimento do capitão engenheiro nomeado para a capitania de Pernambuco José Paes Esteves, pedindo ajuda de custo. Lisboa, 28 de Fevereiro de 1687.
  4. 4,0 4,1 4,2 4,3 Oliveira, As Fortificações portuguesas de Salvador quando cabeça do Brasil.
  5. Arquivo Histórico Ultramarino, CU_ Brasil_Rio de Janeiro, Catálogo Castro e Almeida, doc. 3207. Consulta do Conselho Ultramarino sobre a nomeação de José Vieira Soares para engenheiro da capitania do Rio de Janeiro. Lisboa, 24 de Abril de 1709.  
  6. Arquivo Histórico Ultramarino, CU_ Brasil_Rio de Janeiro, Catálogo Castro e Almeida, doc. 3265. Requerimento do Tenente do Mestre de Campo General Engenheiro José Vieira Soares. 1710.

Fontes

Arquivo do Conselho Ultramarino, Officios, liv. 7, fol. 185v..

Arquivo do Conselho Ultramarino, Officios, liv. 9, fol. 280.

Arquivo do Conselho Ultramarino, Provisoes, liv. 2, fol. 426v..

Arquivo Histórico Ultramarino, ACL_CU_015, cx. 14, d. 1393. Consulta do Conselho Ultramarino ao rei D. Pedro II, sobre o requerimento do nomeado capitão engenheiro da capitania de Pernambuco José Paes Esteves, pedindo para que seus soldos se vençam a partir do dia que embarcar para a dita capitania. Lisboa, 5 de Dezembro de 1698.

Arquivo Histórico Ultramarino, ACL_CU_015, cx. 14, d. 1403. Consulta do Conselho Ultramarino ao rei D. Pedro II, sobre o requerimento do capitão engenheiro nomeado para a capitania de Pernambuco José Paes Esteves, pedindo ajuda de custo. Lisboa, 28 de Fevereiro de 1687.

Arquivo Histórico Ultramarino, CU_ Brasil_Rio de Janeiro, Catálogo Castro e Almeida, doc. 2777-2781. Consulta do Conselho Ultramarino, relativa a situação dos três engenheiros que se encontravam no Rio de Janeiro, José Paes Esteves, Diogo Velloso da Silveira e Manuel de Mello e Castro. Lisboa, 9 de Setembro de 1704.

Arquivo Histórico Ultramarino, CU_ Brasil_Rio de Janeiro, Catálogo Castro e Almeida, doc. 3207-3208. Consulta do Conselho Ultramarino sobre a nomeação de José Vieira Soares para engenheiro da capitania do Rio de Janeiro. Lisboa, 24 de Abril de 1709.  

Arquivo Histórico Ultramarino, CU_ Brasil_Rio de Janeiro, Catálogo Castro e Almeida, doc. 3265-3267. Requerimento do Tenente do Mestre de Campo General Engenheiro José Vieira Soares. 1710.

Bibliografia

Oliveira, Mário Mendonça. As Fortificações portuguesas de Salvador quando cabeça do Brasil. Salvador-Bahia: Fundação Gregório de Mattos, 2004.

Viterbo, Francisco de Sousa. Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portugueses ou a serviço de Portugal. Vol. 1. Lisboa: Imprensa Nacional, 1899.

Autor(es) do artigo

Renata Araújo

CHAM - Centro de Humanidades, FCSH, Universidade Nova de Lisboa e Universidade do Algarve

https://orcid.org/0000-0002-7249-1078

Financiamento

Fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto TechNetEMPIRE | Redes técnico-científicas na formação do ambiente construído no Império português (1647-1871) PTDC/ART-DAQ/31959/2017

DOI

https://doi.org/10.34619/io4c-xbezz

Citar este artigo

Araujo, Renata. "José Paes Esteves", in eViterbo. Lisboa: CHAM - Centro de Humanidades, FCSH, Universidade Nova de Lisboa, 2022. (última modificação: 28/07/2023). Consultado a 18 de abril de 2024, em https://eviterbo.fcsh.unl.pt/wiki/Jos%C3%A9_Paes_Esteves. DOI: https://doi.org/10.34619/io4c-xbezz